Henrico Milliardo

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Henrico Milliardo

Mensagem por Admin em Seg Nov 23, 2015 8:52 pm


Nome: Henrico Milliardo

Data de nascimento: 07/07

Idade: 37 anos

Altura: 1, 73m

Classe/Ocupação: Abastados/Empresário. Proprietário das fábricas Milliardo de leite e derivados.




Aparência

Milliardo é dono de cabelos de um tom avermelhado puxado para o vinho, olhos castanho-avermelhados e uma carranca que reflete um falso mau humor na maior parte do tempo. Sua altura não é tão avantajada, mas, mesmo assim, passa a impressão de "grande" para quem o vê, algo que está ligado diretamente ao seu porte largo, que foi desenvolvido em meio aos deveres abusivos que precisara realizar durante sua estadia na prisão e mantido por sua necessidade constante de estar sempre em movimento. Milliardo sofre com a doença vitiligo, e, por tal fato, possui diversas manchas claras em seu corpo, dando-lhe uma impressão malhada que também se estende aos seus cabelos, já que possui marcas brancas nos mesmos. Além, também possui tatuagens, diversas cicatrizes espalhadas pelo corpo - onde uma chega a cruzar sua face de uma bochecha à outra, seguindo por sobre seu nariz -, e lhe falta uma das mãos, perdida em um "acidente" no período em que ficou detido.




Personalidade

Apesar da aparência intimidante, Milliardo não condiz com os estereótipos que um ex-presidiário carrega. Ao invés de ser agressivo, o homem tende a ser simpático e agradável com todos que se aproximam. Ao invés de fechado, possui o riso frouxo e a tendência a provocar as pessoas com piadinhas inocentes, ou tentar arrancar um sorriso delas com elogios mesclados a flertes sem segundas e nem primeiras intenções. Ficar quieto, no entanto, é seu natural, e, por isso, é fácil encontrá-lo com a expressão séria e o olhar vago, perdido em algum lugar - assim como seus pensamentos costumam estar. Mas só é alguém buscar contatá-lo para que ele perca a rigidez e se mostre o mais solícito possível em escutar e ajudar.



História

Henrico Milliardo sempre foi um jovem exemplar. Dono de um comportamento maravilhoso, notas incríveis e capacidade de solucionar problemas de forma rápida e sem maiores perdas, rapidamente se tornou o membro favorito da família de empresários em que nascera. Obviamente, fora influenciado a continuar a seguir os passos das gerações passadas, apoiado quando, enfim, decidira ceder aos pedidos de seu pai e cursar administração na faculdade. Pedidos, tais, que só foram negados de primeira por sua vontade de provocar um pouquinho o patriarca, em um desejo que foi exposto logo após sua matrícula e para apenas receber alguns socos divertidos por parte do mais velho, já que ele não sabia exatamente como lidar com - nas palavras dele - o filho abusado que pusera ao mundo.

Desde muito pequeno, Henrico fora alguém que gostava de lidar com pessoas. Era dono de um sorriso fácil, brincadeiras diversas, gestos amigáveis involuntários e humildade sem igual. Era tão tranquilo, que sequer se importou quando as responsabilidades da empresa começaram a adentrar seus períodos livres, impedindo que curtisse a vida como os outros da sua idade. Na verdade, até gostava. Não era como estar preso a uma mesa com diversos documentos em mãos fosse seu passatempo favorito, mas havia uma pontada de satisfação em ser útil para seu pai - um sorriso orgulhoso sempre despontando em seus lábios quando escutava os elogios provindos do patriarca.

Seu orgulho, no entanto, possuía suas limitações. Enquanto estava apenas em um elogio ou outro, ele era pleno. Porém quando seu pai desembestava a tirar qualidades intermináveis de si, principalmente ao conversar com seus amigos, Henrico sentia-se constrangido e realmente incomodado. Não gostava de ser uma atração aos olhos de outros, e era justamente assim que se sentia quando todos desviavam sua atenção para si após as palavras do grande Marco Milliardo.

Pior, porém, era quando essas palavras eram produzidas diante do filho mais velho da família. Richard tinha a tendência de fingir não se importar com tudo aquilo, mas era óbvio que ele, como o que deveria ser o herdeiro direto das empresas, não se sentiria de todo agradado ao escutar tanto dito sobre seu irmão mais novo. Era quase como se sua existência não valesse metade da de Henrico, já que raramente o maior era receptor daqueles elogios. O mais jovem Milliardo sempre acabava com a cabeça baixa nesses momentos, sentindo o peso do olhar do irmão sobre sua nuca, pesando gélido como uma faca o faria se estivesse pousada no mesmo local.

Apesar desses momentos, Henrico realmente amava sua pequena família desestruturada. Era verdade que possuía muitos parentes, porém seu pai raramente mantinha contato com as outras partes - apenas o fazia quando ocorria alguma das famosas festas em família, e sempre acabava voltando prestes a entrar em curto -, então seu núcleo real e principal contava apenas com seu pai, seu irmão e ele. Infelizmente, há muito sua mãe fora vítima de uma doença desconhecida e incurável, a qual fez com que a mulher morresse jovem demais para participar de toda a educação de seus queridos filhos. Henrico lembrava ter sido muito amado, porém, e aquele era a única memória que se permitia guardar da matriarca, ainda que não recordasse perfeitamente de suas feições.

O fato de não ter uma mãe não o fizera isento de figuras femininas em sua vida. Obviamente, não contava as jovens com que flertava em tom de brincadeira na rua, visando arrancar risadas contentes das mesmas - até porque repetia suas ações com homens também -, afinal era um jovem muito saudável e enérgico em sua própria jovialidade. Mas, sim, falava da jovem Annie Sybila, amiga sua desde que lembrava se reconhecer como gente.

A garota era como a irmã que precisava em meio à sua família de “machos”, e a única que atrevia atrapalhar seus períodos de concentração para ter alguns momentos de conversação com o mais novo Milliardo. Não era como se Henrico soltasse fogo pelas ventas na presença de qualquer outra pessoa - era educado demais para agir de tal maneira -, no entanto, era somente ela que fazia com que parasse de consultar os números diversos e estratégias para dar-lhe respostas mais longas que simples “uhum”, “certo”, dentre outras palavras igualmente curtas.

Na verdade, ela conseguia parar completamente seu fluxo de trabalho, já que às vezes o visitava para falar sobre a vida, ou para tomar um lanche repleto de chá e biscoitos, ou somente para sentar ao seu lado enquanto ouvia Henrico falar sobre as diversas problemáticas que estava enfrentando no trabalho - o homem já o fazia ciente de que receberia conselhos inteligentes por parte da outra, e por mais que tentasse deixar aquilo casual, tinha certeza de que ela já havia reparado seus intentos há muito.

Era óbvio que graças à sua amizade com Henrico, Annie estava com frequência em sua casa. Mas não fora tão óbvio reparar que os intentos da jovem não estavam somente voltados a fazê-lo companhia. Em sua leseira, o Milliardo mais novo somente se deu conta do que ocorria de diferente quando encontrara seu irmão mais velho junto à jovem em um momento pouco mais íntimo do que realmente esperava. “Oh”, pensou imediatamente, dando aos dois o espaço que precisavam, enquanto sua mente girava engrenagens de cores diversas, “Isso é perfeito!”, e claro que acharia lindo acreditar em sua querida irmã de coração junto ao seu irmão de sangue.

Fora com seu total apoio que ambos se tornaram um casal oficial, e fizera questão de auxiliar a jovem com a decoração da casa nova, quando, enfim, foram nomeados marido e mulher. Henrico não podia estar mais radiante, um sorriso correndo seus lábios de um lado a outro e tão grande, que mais parecia que lhe haviam cortado a face para que ele coubesse ali. Seus próprios dizeres escapavam em tom de riso, mesmo quando conversava com os parentes que apenas atazanavam a cabeça de seu querido pai. Ali tudo era festa, tudo era magia e felicidade.

No entanto, as coisas começaram a desandar sem que sequer percebesse.

Em um dia estranho, o que não era de todo fora do natural em Affaire, recebera a notícia mais desagradável possível para ser dada em meio a um desjejum. Seu pai, junto a alguns outros sócios, acabaram em uma emboscada montada por ladrões e caíram de um barranco quando tentaram desviar da armadilha. Nenhum sobreviveu. Milliardo parou de tomar café durante as manhãs.

Aquela não fora a única mudança em sua vida, porém. Era óbvio que com a falta do cabeça das empresas Milliardo era necessário uma substituição urgente. Por algum motivo, seu nome fora o citado na herança de seu pai, e seu coração pareceu se afundar em um mar de piche quando teve o olhar de Richard sobre si. Aquilo não era o que queria. A última coisa que precisava era que sua última família resolvesse virar as costas para si por causa de um desejo de seu pai. Henrico fez de tudo para que o mais velho aceitasse o ajudar a manter os negócios, e conseguiu, ainda que o outro homem carregasse um ar de contragosto e humilhação tremendos.

Fora a primeira vez que vira seu irmão tão alterado. Era quase como se ele estivesse soltando algo que fora contido por muito tempo, e não se surpreendeu ao chegar à conclusão de que aquela era realmente a verdade. Richard fizera de tudo para impressionar seu pai, e agora ele havia ido embora. Suas tentativas haviam falhado, e não havia mais ninguém que precisasse enganar. Ele não se importava com Henrico, e o menor sentiu isso como se a faca - que outrora pesava em sua nuca - atravessasse seu coração e o pusesse em uma infelicidade constante.

Precisara abandonar a faculdade, precisara esquecer completamente o que era viver tranquilamente. Não sentia vontade de socializar ou caminhar pelas ruas como fazia antes. Apenas trabalhava, suava toda as energias negativas em exercícios que favoreciam a empresa. Estava fazendo o possível e o impossível para manter aquilo. Para manter a herança de seu pai em funcionamento pleno. E estava conseguindo, ainda que estivesse destruindo a própria existência.

Em meio àquela tensão toda, a única notícia que o fizera feliz partira de sua querida amiga. Annie estava esperando uma criança. Uma garotinha, viera a descobrir quando esta nascera, arrancando de si um sorriso suave, que tornou-se sempre exposto diante da pequena presença. E ignorava o fato de sentir-se totalmente desconfortável junto ao seu irmão toda vez que as visitava. Eveleen, como fora chamada, era como um pontinho quente dentro de toda a frieza que nascera em si, e tinha total certeza de que sua amiga o deixara ciente desde o início porque sabia o bem que aquela presença o faria. Estava realmente contente por ainda tê-la próxima a si.

Mas havia algo de muito errado ainda. Richard parecia mais distante a cada dia, ausente no trabalho e acumulando deveres diversos, que apenas pesavam nos ombros já cansados de Henrico. Ao mesmo tempo, toda vez que visitava a casa da família do irmão, sentia que havia algo de errado. Era tudo muito quieto e, mais de uma vez, chegara para dar de cara com o Milliardo mais velho alcoolizado, irritado o suficiente para ameaçá-lo caso não fosse embora imediatamente. Estava começando a ficar estressado com aquilo tudo, um lado seu pedindo para que reagisse, movido pelo cansaço, mas sempre acabava cedendo aos pedidos de Annie e retirava-se em silêncio.

Pena ter achado que toda aquela violência estava voltada apenas para si. Era coerente, acreditava, Richard querer descontar todas suas frustrações no irmão, afinal Henrico havia “roubado” as oportunidades de sua vida, mesmo que aquela jamais tivesse sido sua intenção. No entanto, fora completa estupidez sua defender aquele comportamento de olhos fechados e esquecer que existia a possibilidade nos seres humanos de descontar a raiva em quem não a merecia. Era tão óbvio, que doía não ter percebido antes. O clima da casa, as expressões de Annie, a maneira como ela parecia cada vez mais doente, cada vez mais cansada, distante o suficiente para pedir sua ausência em alguns momentos. O Milliardo não percebera de início, mas toda vez que lhe era permitido visitar, Richard não estava presente. E, deuses, como queria ter percebido tudo antes.

Porém, a ciência do que ocorria somente passou a existir dentro de si quando um dia resolvera visitar de surpresa…

E dera com o corpo de Doris jogado ao chão.

Henrico adorava Doris. Adorava conversar com ela sobre sua sobrinha e sobre a cunhada. Vez ou outra, quando encontrava a mulher na rua, perguntava rapidamente como estavam as duas, e quais presentes seriam do agrado da pequena Eveleen. A babá, sua cúmplice, lhe apontava todos os detalhes dos presentes ideais com rapidez - o que fazia Milliardo anotar nervosamente em uma letra quase ilegível até para si -, e ainda reclamava a falta de sua presença na casa. Aquela reclamação, imaginava naqueles poucos segundos analisando o corpo, tinha um motivo. Ela queria que ele estivesse mais próximo. Provavelmente para evitar tudo aquilo, mas Henrico não entendera. Sua inteligência se limitava a documentos empresariais, pelo visto.

O jarro de flores quase caíra de suas mãos quando notara o corpo indefeso de Annie jogado sobre as escadas, desacordado, provavelmente fruto de alguma violência de Richard que… Que partia para terminar o que havia começado. Henrico pensou melhor que chamar atenção para si, ainda que tivesse feito tudo de forma inconsciente. O vaso fora posto sobre a bancada mais próxima, quase fugindo de si diversas vezes, fazendo-o ainda mais nervoso em meio à tensão que só crescia e parecia querer sufocá-lo. Precisava fazer algo. Rápido. Precisava salvar sua amiga de qualquer que fosse o destino que seu irmão preparava para ela. Mas era menor, era menos forte, Richard sempre fora o mais atlético da família.

Então, para garantir a sobrevivência de Annie, precisava fazê-lo parar de vez.

Ainda não conseguia assimilar perfeitamente o que fazia quando arriscou alguns passos em direção à bancada da cozinha. Seus dedos, trêmulos, acharam a conveniência da faca que havia ali, prendendo-se ao cabo de forma insegura, hesitante, enquanto seus olhos seguiam firmes na figura mais adiante.

Henrico não escutava muito dos arredores, ensurdecido pelas batidas do próprio coração, e pela forma como tudo parecia estar sob água. Era como se seus passos não pesassem tudo que precisavam pesar, como se seu caminhar estivesse sendo dificultado por uma barreira invisível, sentia os pulmões incapazes de capturar o oxigênio necessário para que se mantivesse. Mas nada disso o impediu de acelerar os passos quando viu as mãos de Richard a caminho do corpo de Annie. E tudo se tornou alto demais quando o próprio grito partira o silêncio do ambiente, a surpresa de seu irmão apenas facilitando seu trabalho, ao que o corpo maior voltou-se para si e abriu a brecha que necessitava para atingi-lo justamente no local que o pararia de vez. E para sempre.

Uma faca fincada no corpo, e os Milliardo perdiam mais um integrante.

Henrico não sabia se estava respirando realmente oxigênio, ou se eram cacos de vidro que invadiam suas narinas e faziam todo o caminho do ar arder machucado. Seus pulmões pareciam prestes a quebrar em meio ao nervoso, e seus olhos estavam arregalados e focados no corpo que estava pendendo por sobre si, preso pela faca que ainda tinha em mãos. Desespero o invadiu, e lutou para que a arma saísse de Richard. Fora uma batalha mais demorada do que achou que seria, notando apenas naquele momento como o atingira com uma força que não reconhecia como sua. Gemia, choroso, em suas tentativas, e mesmo quando o baque do irmão caindo ao chão invadira seus ouvidos, ainda sentia necessidade de desvencilhar de algo, de murmurar coisas desconexas em meio a um choro que sequer notara começar. Estava prestes a surtar.

Sorte sua crise ter sido interrompida por um som. Pena que pela última pessoa que desejava vê-lo com uma arma em mãos. Eveleen havia visto aquilo. A pequena Eve. Sua querida sobrinha. Sentiu o corpo tremer mais violentamente, chamando-a de forma nervosa, e arriscou um passo na direção da menina assim que notou ela vacilar. Mas ela estava assustada, não deveria… E sem saber realmente o que fazer, o Milliardo sentou-se ao chão em meio à confusão de emoções, mantendo-se com a mesma expressão sem vida até, enfim, serem encontrados por alguém.

Não sabia, porém, que o vizinho apenas invadira a casa graças ao som de seus gritos desesperados e seu choro alto.

-

Milliardo fora taxado de duas coisas: Louco e assassino. Obviamente, com a cena que era aquela casa, e com o silêncio eterno de Henrico, ele fora preso como o suspeito principal e rapidamente condenado a muitos anos de prisão. Era mais fácil acusá-lo de vez, mesmo sob os protestos de Annie, a ter uma investigação mais profunda conduzida, e o rapaz não se incomodava realmente com aquilo. Com tudo que havia acontecido, a única coisa que realmente desejava era estar longe, ser apagado da realidade, e, de preferência, não ter que lidar com qualquer coisa mais que exigisse sua capacidade de raciocínio. Henrico queria simplesmente apagar, e não demorou a ser considerado depressivo pelos médicos da prisão, ainda que ninguém realmente se importasse com seu estado.

Nem mesmo ele se importava, afinal.

Foram anos em que agia mais como uma máquina que qualquer outra coisa. Respondia ao que lhe era pedido sem pensar muito, ignorava as provocações de outros presidiários, dos policiais e até de pessoas aleatórias que passavam por sua grade após visitas e xingavam-no de nomes que sequer lembrava, já que não prestava muita atenção. Os únicos momentos que arrancavam reações de si era quando tinha as duas Sybila como visitantes. Conversava com elas de forma animada, ainda que com suas limitações, e sempre ria quando ouvia comentários sobre como havia se tornado maior, ou sobre as tatuagens que fizera de forma impulsiva algumas vezes - a dor da agulha lhe servia de punição e o ajudava a conter as necessidades agressivas que sentia em certos momentos. Achava graça, porém, que Annie se recusava a falar sobre as novas cicatrizes em seu corpo ou como seu rosto parecia envelhecido e cansado com o passar do tempo em um lugar tão cruel. Achava graça, mesmo, mas também sentia-se realmente agradecido.

Por algum motivo, sua expressão contínua se tornara motivo de diversão para os outros detentos e para os carcereiros. Tornou-se um desafio, algo a ser conquistado, e apostavam entre eles quem conseguiria acabar com a fachada de bom menino de Henrico primeiro. “Acidentes” começaram a acontecer com frequência. Ganhara cortes, queimaduras, fora agredido diretamente mais de uma vez, até, por fim, acabar sofrendo com uma das máquinas que operavam. Um dos policiais, sem querer, descera uma das partes altamente cortantes sobre sua mão... E ela fora decepada.

Que sorte para aquele que ganhara a disputa! Milliardo, obviamente, não conseguiu manter a expressão fechada de sempre quando sangrava aos montes e sentia uma dor excruciante. Lágrimas se juntaram nos cantos de seus olhos e seu grito deveria ter sido ouvido até fora da prisão, o desespero palpável, pouco antes de perder a consciência para o trauma.

Depois daquilo, não soube exatamente o que acontecera. Lembrava vagamente de ter sido atendido de forma porca, de ter ouvidos reclamações de Annie e sabia que estava sucumbindo à própria mente, quando recebera a notícia que poderia ser liberto a qualquer momento. Algo sobre um processo que fora iniciado e que daria muita dor de cabeça se fosse levado adiante. Henrico já sabia, mas era surpreendente notar como a justiça de Affaire era mantida de qualquer jeito. O importante era evitar dor de cabeça, de resto, que tudo fosse às favas.

Não estava realmente grato por ser liberto repentinamente após dez anos de confinamento, mas fora com alívio que sentira um aroma diferente do típico das celas úmidas e mal iluminadas. A cidade havia mudado bastante, os caminhos se tornaram diferentes, e sua reação a tudo aquilo fora se manter parado do lado de fora da prisão com os olhos arregalados e incertos. Para onde deveria ir? Nunca antes assumira que havia a possibilidade de sair daquele confinamento, então estava completamente perdido ali. Não tinha família próxima, duvidava que os parentes distantes o aceitariam. Tudo que lhe restava, e agradecia aos céus por aquelas presenças, era Annie Sybila e sua filha. Também possuía alguns bens e uma empresa falida, que fora mantida em seu nome por pura conveniência.

“Você pode começar voltando para sua casa?”, escutara de sua amiga e negara com um movimento quase inconsciente da cabeça, ainda levemente perdido.

Iria começar arranjando uma mão nova.

E, só depois, pensaria direito no que fazer.



Informações adicionais

• Reviveu as empresas Milliardo, mas ao invés de manter a mesma linha de antes, passou a trabalhar com leite e derivados;

• Possui um allmate em forma de uma pequena vaca alada, que chama de Mommy;

• Sofre de vitiligo, mas não se importa realmente com a doença.

• Apesar de ser o dono das empresas, faz questão de se juntar aos funcionários e entregar as garrafinhas de leite aos clientes todas as manhãs;

• Usa uma quantidade diversa de remédios graças aos traumas que sofreu e graças à doença que possui, por isso não costuma ingerir bebidas alcoólicas ou fumar (algo que fazia com frequência antes de ser preso). Costuma evitar eventos sociais graças a isso;

• É bastante habilidoso com trabalhos manuais e costuma costurar quando está muito nervoso;

• É um tio extremamente babão, apesar de costumar ficar constrangido perto da sobrinha (tem vergonha por ser um ex-presidiário).


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