Philip Aubert Wickhan Jr

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Philip Aubert Wickhan Jr

Mensagem por Admin em Dom Ago 16, 2015 8:16 pm


Nome: Philip Aubert Wickhan Jr / Bou

Data de nascimento: 05/06

Idade: 27 anos

Altura: 1,80m

Classe/Ocupação: Segurança/Marinha



Aparência

I - Philip A. Wickhan JR

Philip não chama muita atenção. Apesar de alto, dono de um corpo relativamente trabalhado graças ao esforço de sua ocupação, e dos olhos esverdeados, o rapaz possui uma expressão tão boba, que é incapaz de fazer qualquer um se prender a ela por muito tempo. Aliás, é até comum esquecerem a fisionomia do garoto. De qualquer forma, seus cabelos são curtos, com a parte interna raspada em um corte que se ajustaria ao estilo militar, se não fosse pelo fato do undercut ser muito mais coberto do que deveria pelos fios castanhos. Na região da franja, as mexas são ainda maiores, e a volta que forma a pontinha - natural de seu cabelo ondulado -, apenas faz sua aparência ainda menos marcante. A face segue povoada por sardas e algumas raras pintinhas, e o nariz é levemente maior do que o considerado "normal". Sempre está vestido com o uniforme, ou com roupas que são levemente mais largas que seu corpo, afinal, há um segredo que precisa proteger.

II - Bou

Quando está em sua personalidade ruim, a aparência do rapaz muda por completo, e de alguém a quem ninguém pousaria os olhos, Philip se torna Bou, o tipo de pessoa que é impossível não se olhar. Sobre saltos altos, o garoto - que já era alto - se torna um chamariz ambulante, principalmente graças aos fios esverdeados da peruca que usa, e que parece brilhar nos ambientes escuros. Seus olhos, infelizmente, não são mais tão visíveis, já que uma máscara cobre a região, e a visão se faz por buracos em forma de cruz, mas o sorriso grande, e de canino levemente pronunciado, sempre está exibido, junto a um fósforo que carrega entre os dentes; um enfeite, como gostava de chamar. Em seu corpo, toda a roupa lembra claramente um bobo da corte. Da blusa de mangas bufantes, à calça folgada, que se prende na barra da bota de cano longo, até o chapéu tão característico que carrega sobre a cabeça. Mas o que realmente chama a atenção dos que o encontram, é a cintura bem marcada por um espartilho, e tão feminina, quanto nenhuma outra parte do rapaz o era. Aquela sim é sua marca registrada, além do fato de ter uma infinidade de tipos de bomba envolvendo seu corpo, mas essa parte não é realmente importante.



Personalidade

I - Philip

Diferente do que qualquer um poderia pensar sobre um homem adulto de 26 anos que trabalha na marinha, o rapaz não é nada incrível. Aliás, alguém que consegue tropeçar nos próprios pés, ou cair de cara ao chão por ter pisado em um dos cadarços soltos do sapato, está longe de ser considerado incrível por qualquer pessoa normal. Philip é um desastre. E não há palavra melhor para descrever o rapaz que mal consegue cumprir uma tarefa qualquer sem precisar pedir um milhão de desculpas aos superiores, ou acabar chorando em um canto por sua incapacidade de realizar qualquer coisa sem cometer falhas. Apesar disso, é extremamente gentil, respeitoso, e se esforça ao máximo para realizar o que lhe é designado, apesar de não receber real atenção por isso. Faz o tipo mais reservado por simplesmente ser tímido demais para tentar conversar com as pessoas, principalmente quando é naturalmente ignorado mesmo ao falar coisas básicas. Porém, não se importa realmente com isso, já que é inocente o suficiente para considerar o seu allmate, o cachorro Zeahl, como melhor amigo, e único, já que não conseguira qualquer outro desde que se mudara para a capital de Beaumont.

II - Bou

Bou, ao contrário de Philip, está longe de ser alguém educado ou cortês. Muito menos faz o tipo quieto e proativo. A verdade é que o rapaz é expansivo até demais. De gestos exagerados, e boca solta, o palhaço - e não exatamente no sentido pejorativo da palavra, por mais que também possa ser utilizado -, tem a capacidade de falar por horas a fio sem se permitir ser interrompido. É carente de atenção, por isso odeia quando as pessoas não reparam em si, ou na sua bela personalidade narcisista, e sempre acaba reagindo de um jeito violento demais, ou em pura birra, o que depende do nível de proximidade com quem está tentando conversar. Ainda diferente de quando está em sua personalidade adorável, não se importa com a dor, com as próprias falhas, ou com a existência dos outros, aliás, só a reconhece se essas pessoas são: ou suas vítimas queimando/explodindo graças ao seu lado sádico e maníaco, ou alguém que lhe proporcione algum tipo de dominância, já que possui um lado masoquista tão aflorado quanto. Talvez até se interesse por aquelas que possuem um caráter semelhante ao seu, e não importa se a equivalência se dê pela própria parte idiota, ou assassina, até a de negócios, desde que haja um assunto em comum para que possa tagarelar por todo o tempo até sentir-se finalmente satisfeito.



História

Pode até ser estranho ouvir algo do tipo, considerando as personalidades destoantes que vivem em um corpo só, mas a criança batizada de Philip nunca fora problemática. Ao menos não em seus primeiros anos. Como bebê quase não chorava - sequer o fez ao nascer, necessitando que o médico o induzisse a tal. Já pondo os pés ao chão para poder explorar, não fazia muito mais do que caminhar até a mãe ou o pai, e sentar ao lado de um dos dois, fitando-os enquanto realizavam seus trabalhos. Quase nunca mexia com os brinquedos que havia ganhado, e resolvia brincar com objetos que se tornavam coisas imaginárias, cujo Philip maior, e sua mulher, Belle, jamais conseguiam compreender. Quando enfim fora para a escola, mostrara ser respeitoso com todos, e era frequentemente elogiado por suas notas e bom comportamento.

E, por mais que não quisessem, esse tipo de comportamento alertava os Wickhan.

Não queriam ser grosseiros, ou pensar demais, muito menos agir de forma preocupada para se vangloriarem do filho bem criado. Estavam assustados, porque não haviam sequer pensado em criar Philip daquela forma, e tudo que ele fazia era fruto de suas próprias escolhas, porque assim ensinaram os dois adultos. Simplesmente não era comum que tivesse escolhido agir sempre da forma correta, quando nem o lar em que viviam era tão perfeito. Mais do que intrigante, era realmente assustador, perceber que, acima de tudo, o garoto não mostrava interesse algum em ser diferente. Aliás, dos olhos esverdeados de Philip, o pai não conseguia enxergar qualquer emoção diferente da aceitação. Era quase como se fosse um robô bem programado, e não uma criança.

Preocupados, os pais precisaram discutir uma solução. Precisavam que Philip demonstrasse algo, qualquer coisa que fosse, mesmo que um interesse mínimo em algo que não fosse seguir os passos do pai detetive ou da mãe médica. Queriam que ele se libertasse de toda a educação, e nunca pensaram que o garoto pudesse ser daquela forma por querer. Que criança seria assim? Então, em um golpe de mestre, que não passava de algo absurdo, resolveram deixá-lo ainda mais por conta própria. Afastaram-se, deram espaço para o menino crescer, mas tudo que conseguiram fora machucar os sentimentos daquele que amava tanto os progenitores. O pequeno Phil passou a sentir-se solitário.

Por mais que fosse bom na escola, tivesse um comportamento exemplar, e gentileza não faltasse ao tratar os colegas, ele não tinha amigos. Quem iria querer ser amigo de alguém tão certinho e sem graça? Ninguém. Muito menos quando esse alguém tinha pais influentes, dinheiro, tudo, coisas que muitas das crianças ali não tinham, e, pior, invejavam. Philip se tornou alvo da cobiça alheia, mas ao perceberem que não iriam longe, tornaram ele alvo de suas maldades. Todos os dias o pequeno chegou em casa machucado, o que retornou a atenção dos pais e fez o garoto compreender: Se estivesse machucado, receberia atenção.

Então, daquele dia em diante, não havia momento algum que não estivesse buscando meios de se machucar. Escorregava em poças, ou tropeçava nos próprios pés, se cortava com papel, ou com a tesourinha da escola, não era mais tão bom em trabalhos manuais, e sempre se metia a tentar fazer coisas que seu corpo pequeno não aguentava. Estava sempre machucado. De primeira a dor lhe dava medo, afinal, sentir dor nunca fora algo considerado bom. Ao menos não até que Philip se acostumasse, e, pior, passasse a associar aquilo com amor e carinho. A dor nada mais era que uma forma de conseguir amor, então não seria a dor algo bom? Acabou se apaixonando pela dor.

Porém, mesmo que tivesse conseguido tal agrado, a indiferença de seus pais continuava após ter seus ferimentos cuidados. E Philip não sabia se deveria se machucar mais, ou desistir de vez. Qual não fora sua surpresa, então, receber o convite para sair com seus pais. Iriam ver um tal de circo, mas não lhe importava, a única coisa boa naquilo tudo era poder ver os pais juntos consigo durante aquele tempo.

Mal sabia que o circo iria lhe importar muito mais do que qualquer outra coisa no mundo.

Quando sentou-se, ainda descrente por ter um espaço entre os dois parentes, percebeu que, talvez, o circo não fosse qualquer coisa como pensava. Seu pai apontou o picadeiro, e quando seus grandes olhos curiosos desceram pra focar o que acontecia, assustou-se ao ver um homem grande equilibrado em uma bicicleta de uma roda só. Sequer conseguia se manter sobre a de duas sem o intermédio das pequenas rodinhas de auxílio! Então começou a se impressionar.

Ao contrário de todos, o que acontecia não fazia o pequeno rir, ele apenas assistia com os olhos vidrados, como se não houvesse coisa melhor pra fazer. Via os homens naquelas encenadas comédias, os animais domados, e aqueles que arriscavam a própria vida em situações incríveis, como o alvo do lançador de facas, o engolidor de facas, ou a mulher que cuspia fogo. E aquela sim roubou qualquer noção do pequeno, que assistiu fascinado como as chamas corriam de seus lábios - ao menos era assim na visão infantil -, queimando o ar ao redor, e provocando as nuvens de calor que distorciam um pouco o ambiente. Era como um dragão. E toda a roupa dela aumentava essa impressão, por mais que não houvessem escamas ou corpo grande. Ela usava uma capa que arrastava ao chão, botas de salto que cobriam tudo até seus joelhos, e algo que lhe apertava a cintura e pronunciava ainda mais os seios já grandes. Ela era incrível.

E Philip não conteve sua empolgação quando os aplausos começaram e ela agradeceu. E o destino riu dos pais que sorriram um ao outro, contentes por ver uma reação do tipo em sua criança. Porém ao que lhes foi pedido para voltarem ali todos os dias, eles se entreolharam e negaram de imediato. Não tinham tempo para isso, e não podiam gastar tanto dinheiro com algo tão banal. Pela primeira vez o garoto se revoltou, por mais que não dissesse uma palavra, e fez questão de guardar o caminho na memória. Iria voltar ali quer eles quisessem, quer não.

Seu primeiro ato de rebeldia fora fugir da escola para poder seguir direto para o circo. Assistira repetidas vezes, passara o dia observando as atrações se repetirem por uma hora, esperou o intervalo de uma hora, e novamente viu tudo acontecer. Era quase como estivesse hipnotizado, e, ao fim do dia, quando todos já haviam ido embora, e só ele sobrara para ser enxotado pelos trabalhadores que arrumavam tudo após, saiu deslumbrado, quase caindo das plataformas que se encolhiam, e para dar de cara com a pessoa que mais admirava.

A mulher estava deslumbrante como sempre, ao menos diante dos olhos infantis. Apesar da maquiagem levemente borrada e da garrafa de álcool em suas mãos, o corpo estava apertado, quase como se sufocasse, na vestimenta curiosa, o som das botas batendo ao chão atiçando seus ouvidos, e o olhar desinteressado dela, levemente alterada pela bebida, estava caído sobre o corpo pequeno, de quem mal acabara de completar seus dez anos.

"Quem é você?", ela perguntou, sem se incomodar em manter a criança em seu campo de visão, ou de evitar acender um cigarro, colocando-o por entre os lábios cheios, manchando o tubo de nicotina com o batom vermelho. "Vá embora, criaturinha, não gosto de anões.", porém, por mais que estivesse sendo enxotado naquele instante, Philip resolveu se apresentar, deixando seu nome inteiro escapar dos lábios, quase como se fosse um robô programado para tal. A mulher piscou, meio perdida, e, por alguns instantes, apenas fitou os olhos cheios de emoção que o pequenino carregava, como se o estivesse analisando. Por fim, um sorriso enorme cortou seus lábios ao que percebeu a sorte grande que tirara.

-

Não soube exatamente como acontecera, mas Philip conseguira iniciar uma amizade com a mulher que admirava. Infelizmente, e naturalmente, ela não estava presente por todo o tempo, já que o circo não era fixo na cidade. Anos cortavam seus encontros, e seu corpo crescia, assim como sua vontade de encontrá-la novamente a cada período em que jaziam separados. Ela se tornara importante, quase como a figura extra que precisava para sentir-se menos solitário, e a artista sabia muito bem daquele fator, e se aproveitava dele para se aproximar e forçar Philip a gastar um bom tempo conversando consigo. Bobo como era, o garoto apenas cultivava animação ao que respondia cada pergunta que sua ídolo o fazia, chegando ao ponto de dar detalhes que deixavam clara sua condição financeira e a importância de seus pais. Estava jogado aos pés da mais velha, e, com toda sua esperteza, ela soube aproveitar aquela situação.

A diferença de idade não pareceu algo importante, quando Philip descobriu que seus sentimentos eram correspondidos pela mulher. Recém-saído da puberdade, ele não se importou com o fato de sua companhia estar prestes a chegar aos trinta, e simplesmente se deu por satisfeito em tê-la ao seu lado. Não havia malícia no relacionamento, ao menos não por parte de um rapaz que tinha a mente mais pura que um campo de girassol. A mulher, no entanto, carregava uma maldade que não se convertia a toques ousados, mas, sim, a uma cobiça que vinha junto à ciência da realidade do garotinho a quem iludia. E o convenceu a deixar de lado suas morais para levá-la à casa onde vivia, sob o pretexto de que queria conhecer onde seu amor residia, usando de dizeres tão melosos que o coração do menino quase parou em nervosismo. Ele não suspeitava de uma palavra sequer.

Apesar de ser inocente e ter acatado aos desejos da mulher, Philip tomou cuidado. Seus motivos não chegavam perto da desconfiança que seria natural a qualquer pessoa, mas, sim, ao medo de por tudo a perder. Aos poucos, o rapaz estava começando uma vida nova, uma que acabara atraindo a atenção de seus pais por não conseguirem se manter indiferentes ao sucesso de seu filho. O Wickhan mais novo começara a sair sozinho, algo que nunca lhe fora de costume - e que vinha sendo influenciado pelo circo e por seus encontros com sua "namorada" -, além de ter conseguido ótimos resultados ao que testara suas capacidades com a marinha.  Passara a receber elogios frequentes, algo que soava muito melhor que os cuidados preocupados que vinham com seus machucados - ainda que mantivesse seu desajeito "natural" ainda vivo.  De qualquer forma, não podia deixá-los descobrirem sobre sua ligação com o circo, eles não pareciam contentes quando falava sobre os espetáculos quando era mais novo, e não ficariam ao descobrir que estava envolvido com alguém que fazia parte daquele ambiente. Seu grande erro fora não aceitar o desagrado de seus progenitores.

A mulher tinha o costume de sorrir para si. Disse que gostaria de voltar a visitá-lo, e Philip não deixou de acatar aos seus desejos. Além, o rapaz guiou-a por cada cômodo da casa, apresentando o ambiente quando mais ninguém estava ali, deixando evidente toda a riqueza que o local possuía para alguém a quem não deveria mostrar sequer uma moeda dourada. O rapaz não soube de imediato, mas abria as portas para a traição que ela pretendia, e somente percebeu o que havia feito quando, certo dia, aproximou-se de seu lar para sentir um cheiro forte de queimado. Correu, sem entender realmente o que acontecia, até parar em um local que permitia que visse a situação responsável pelo cheiro. Fogo, muito fogo, fumaça e a mansão onde vivera por toda sua vida se despedaçando em meio àquela violência de tons quentes, fazendo-o derrubar a sacola de papel com compras ao chão, enquanto as cores dançavam refletidas em seus olhos arregalados. Não estava entendendo o que acontecia, apenas lembrava que seus pais deveriam estar ali dentro naquela hora. Eles não podiam, precisavam estar do lado de fora.

Cambaleou para frente, buscando qualquer sinal de alma viva, ainda que soubesse que estavam relativamente isolados naquela cidade. Ninguém havia chegado ainda, e não havia qualquer silhueta que indicasse que seus pais estavam sãos e salvos. Nada, ninguém para recepcioná-lo e lamentar aquela perda como se fosse algo banal, afinal, estavam todos bem. Nada. Piscou, sentindo lágrimas invadirem seu olhar, escorregando pelo rosto em trilhas incertas, enquanto buscava mais uma vez algum sinal de vida. E fora por muito pouco que notara uma silhueta feminina, de cintura bem marcada, correndo com um saco enorme em sua posse. Ela, em seus passos velozes para quem calçava salto, juntava aquele objeto a vários iguais, todos empilhados em um carro próximo à floresta. Seus lábios se separaram, e sua mente finalmente processou o que acontecia, a resposta para tudo de errado naquele instante...

Philip engoliu um bolo de raiva em seco, sentindo o corpo tremer.

-

Não havia compaixão nos olhos esverdeados. Enquanto a grande mansão pegava fogo, e muitos dos bens seguiam espalhados pelo chão, o garoto jazia parado em frente à mulher que destruíra tudo que acabara de construir. Finalmente havia conseguido a atenção dos pais, finalmente virara motivo de orgulho, alguém a quem eles elogiavam... E tudo fora estragado por aquela maldita, uma pessoa a quem antes admirara por ser tão incrível, mas que, naquele instante, parecia assustada demais até para focar em seu olhar. Sorriu, a garrafa de álcool presa em uma de suas mãos, enquanto a outra tomava o cuidado de despi-la do espartilho que sempre a fizera tão elegante, tão incrível e corajosa. Algo que um cachorro assustado não merecia vestir. Sequer se preocupara em parar o trabalho quando ela arranhou seu braço, ou quando buscou uma faca e causou inúmeros cortes na região. Não parara até poder retirar o tecido e jogá-lo para longe daquele corpo asqueroso, o qual fitava com desprezo absoluto.

Mesmo com ela jogada ao chão, e seu corpo sobre o frágil feminino, Philip não parecia nada além de satisfeito por ver aquele olhar azulado o fitar com tamanha intensidade, tremer em busca de possibilidades de fugir do corpo magro do garoto... Porém não existia espaço, não havia como fugir, não tinha outra opção, apenas restava à mulher ficar parada, presa ao choque de estar sendo tão violentamente tratada. Enquanto isso, o sorriso não desgarrava da face manchada por sardas, que se esticava cada vez mais, ao mesmo que cantarolava e se livrava da tampa da garrafa de álcool.

Philip não disse nada, apenas se ocupara em erguer o corpo e chutar a artista de volta ao chão quando ela arriscou se levantar. O bico de sua bota acertara o estômago da mulher, e com tanta força, que os olhos dela automaticamente se encheram de água, e, dos lábios tão desejosos, o que saíra não fora nada bonito. Que cena tocante. Mas não se preocupou em admirá-la por muito tempo. Com um assobio, o líquido transparente passou a umedecer cada pedaço do corpo largado, grudando as roupas bem trabalhadas à anatomia cheia de curvas, deixando-as mais evidentes a alguém que não mais se interessava. Sequer se importava com o início do choro desesperado. Não se importava com qualquer coisa mais.

- Vamos ver, onde será que deixei os fósforos? - As mãos esguias tatearam os bolsos com calma, como se tivesse certeza de que a vítima se comportaria após tudo aquilo. Ela não conseguiria correr para longe, muito menos fugir da absurda vontade que o outro tinha em destruí-la. Ela deveria apenas esperar, como uma boa garota. Pena que não era, nunca havia sido, e no momento que pensou ter Philip distraído, tentou rastejar para longe, se embrenhar pelas árvores do bosque que rodeava a casa dos Wickhan.

Era mesmo imbecil, mas não conseguira arrancar reação negativa alguma do mais novo. Ele apenas suspirou, abrindo um sorriso quase compreensivo, antes que começasse a segui-la em passos lentos; o suficiente para manter-se perto. Voltou a assobiar uma música qualquer, sua busca tão tranquila, quanto não o era a mulher. Ela parecia querer correr, parecia desesperada para conseguir sobreviver, buscar um meio de fugir do assassino que praticamente criara, mas não havia como. Sabia que apenas lhe restava o desespero. O fim. E fora quando escutara um "Oh", que sua mente parou de funcionar, para que lançasse um olhar amedrontado ao seu algoz.

E mal pode focar a face sardenta, antes que começasse a queimar.

- Tchauzinho, darling.

-

Philip fora recebido com estranhamento no dia seguinte. Os outros artistas do circo já o conheciam, ele havia se tornado uma figura frequente quando se aproximara da mulher que cuspia fogo, e tinha uma personalidade agradável o suficiente para que todos gostassem dele. Porém, quando o viram naquele dia, não conseguiram enxergar a criança que fugia todos os anos para assisti-los. Os olhos verdes transbordavam uma sensação que jamais pensaram ocupar o lugar da antiga pureza, e, sobre suas roupas, existia um espartilho já conhecido por todos ali. O garoto contara uma história incrível, de como a donzela de fogo havia se tornado vítima de seus próprios feitos, e queimara diante de seu olhar, pouco depois de oferecer a vestimenta como um presente a si.

Todos o fitaram com desconfiança, obviamente, afinal, não podiam confiar em alguém que mudara tanto em tão pouco tempo. Principalmente alguém que carregava um sorriso ao rosto, que em nada parecia gentil. Aquele não era o mesmo Philip, e sim um ser que transbordava uma autoridade que lhes era desconhecida e que soava assustadora demais para que contrariassem. Por isso, ao que ele pediu, de forma até infantil, para ir embora junto ao circo, ninguém ousou negar. Apenas o aceitaram como aprendiz, e o levaram por suas viagens ao mundo. A França não seria mais o lar do pequeno Wickhan, e lhe faltava descobrir onde estaria o lugar mais interessante para parar, e, enfim, aceitar sua nova vida.

Estava sozinho, afinal.

-

Foram três anos longe de qualquer civilização fixa. Três anos em que batalhara como um artista circense, ao invés de um ser humano comum, com vida comum, em um mundo comum. Havia se tornado habilidoso em pouquíssimo tempo, e conseguira conquistar plateias sob o nome de Bou, o Bouffon, ou, literalmente, o bobo. Havia tomado gosto pela dor e sofrimento, e não só os seus - como já era de seu costume infantil -, como também para atingir pessoas aleatórias, às quais sequer tinham um motivo para acabar em situação tão desagradável, mas que sofriam a ira de um serial killer amante das chamas e explosões. Toda vez que o circo parava em algum lugar, várias pessoas morriam queimadas ou apareciam desmembradas em noticiários, e logo acabaram com uma reputação ruim o suficiente para ninguém mais querer aceitá-los nas cidades. E Philip, que agora não mais se aceitava por tal nome, apenas divertia-se com o desespero dos companheiros de circo, batendo os pés ao chão, enquanto ria da pobreza que assolava os pobres palhaços.

Era óbvio que aquilo não o incomodava. Primeiro, adorava assistir as expressões derrotadas, que suspeitavam de si, mas não ousavam dizer coisa qualquer por medo de sofrerem do mesmo destino das vítimas. Segundo, porque tinha toda uma herança sob seu nome, uma quantidade absurda de dinheiro que havia recuperado quando dera um jeito na mulher que tentara o roubar, e que servia como segurança para si, ainda que ninguém soubesse sobre aquilo. Estava em ótimas mãos: as próprias.

Porém era uma pena que aquilo não fosse o suficiente para evitar o tédio. Já haviam passado por vários lugares que se recusaram a abrir as portas para o circo, os expulsavam logo no primeiro instante que pisavam em seus domínios. Eram poucas as cidades inocentes que permitiam que os artistas se apresentassem, mas, mesmo elas, pediam para que se retirassem rápido ao que os boatos chegavam-lhes aos ouvidos. Sempre tinha algum idiota bem informado. Bou estava ficando cansado, e cansaço não era algo que refletia de forma positiva em seu humor. A verdade era que, a cada momento em que passava sem muito que fazer, sua vontade de incendiar era maior. E não que aquilo o incomodasse, mas, em meio ao caminho para lugar nenhum, existia apenas uma coisa à qual podia tocar fogo...

Os olhos esverdeados subiram para a estrutura desmontada do circo pela quinquagésima vez naquele dia, antes que suspirasse e voltasse a acionar e apagar o isqueiro que mantinha em suas mãos. Tinha a total atenção de um dos artistas mais imponentes dali, um negro forte, de olhos castanhos e cabelos raspados, além de dono de altura considerável, e que parecia prestes a comê-lo vivo a qualquer sinal de rebeldia do palhaço. Engraçado, no entanto, era o fato de ele ser o engolidor de espadas. Algo que soava bastante divertido para o antigo Wickhan, ao que ele escorregava o corpo pela cadeira onde repousava e se apoiava sobre o encosto para observar o homenzarrão, um sorriso escancarado na cara.

- Eu sou tão bonito assim para não tirar os olhos de mim? - O homem não moveu um músculo sequer, ou alterou a expressão. - Fica calmo, grandão. Eu vou fazer nada.

Não havia mesmo diversão ali.

-

Haviam se passado mais alguns dias, e finalmente, após tanta espera, receberam permissão para adentrar uma cidade desconhecida. Nenhum integrante do circo havia pisado ali anteriormente, e mesmo Bou sentia-se levemente empolgado para fazer algo diferente depois de tanto tempo. Até se ocupara em colocar um espartilho novo - já que o que "conquistara" não mais lhe servia -, em tons que mesclavam o vermelho e o dourado, e que contrastavam com sua roupa de tonalidade mais escura. Seu cabelo já batia em sua cintura, e formava uma cortina que faria qualquer um se enganar, em primeiro olhar, sobre o gênero do rapaz. Ainda era magro, mas era bastante alto, apesar de mal completado seu crescimento, e os poucos músculos que possuía ficavam escondidos sob as mangas e calças bufantes. O olhar era selvagem, mas, ao mesmo tempo, parecia muito menos masculino do que deveria, e andar sobre saltos altos não ajudava muito a não trazer o destaque a si, quando entrava para se apresentar. Porém a confusão que causava não o transtornava de forma alguma, apenas vestia-se de tal forma por achar bonito, e não se importava se concordassem ou não com aquilo.

Mas, tinha a singela impressão, de que as suas roupas eram muito bem recebidas pela maioria do público, e, em segredo, por alguns dos companheiros artistas. O que lhe parecia muito mais divertido, afinal, um dos olhares que mais o perseguia, era daquele que fora posto para vigiar sua conduta. Havia criado uma espécie de relacionamento com o "grandão" cujo nome sequer sabia. Falava, e ele lhe respondia, muito às vezes, com movimentos breves da cabeça, quase como se não conseguisse falar... O que descobrira ser verdade algum tempo depois. Perguntava-se se havia sido acidente de trabalho, mas decidira que era muito mais interessante daquela forma, afinal, poderia falar o quanto quisesse, e não precisaria se preocupar em ter alguém o interrompendo.

Depois da apresentação naquela cidade desértica, o Wickhan resolveu dar uma volta, e, claro, fora seguido pelo tal guarda-costas. Seus passos eram calmos, por mais que ainda se mantivesse nas roupas de espetáculo, e continuasse a chamar a atenção dos transeuntes. A maioria parecia mais interessada na beleza dos artigos que cobriam os artistas, a realmente criticar a conduta do mais baixo. E aquilo era realmente adorável, pensou Bou. No entanto, seu tédio voltara, e como estava treinando para substituir sua primeira vítima - a mulher que cuspia fogo -, pensou se não seria interessante usar alguém daquele lugar como mira, mas esquecera aquilo no momento seguinte. Diante de si, perdido em um dos becos da cidade, surgiu uma loja bastante exótica, onde modelos robóticos de animais se mostravam robustamente nas vitrines. Eles pareciam diferentes do que já estava acostumado a ver, mais rústicos, porém... Diferentes.

Sua curiosidade o guiou para dentro, e antes que pudesse se conter, estava fazendo uma encomenda bastante trabalhosa, à qual fez o velho homem da loja prometer terminar em três dias. E, após tal feito, sentia-se feliz o suficiente para permitir-se envolver os braços ao redor do pescoço de seu vigia e encostar os corpos de forma sugestiva demais para qualquer um.

- Eu pareço uma garota, certo?

Então ambos sumiram em um beco qualquer da infeliz cidade.

-

Hazel era seu novo bebê, e estava óbvio para qualquer um que visse, que um dano causado na gata mecânica, se converteria automaticamente na morte da pessoa que a danificasse. Na mesma época em que o robô chegara, Bou começara a se distanciar mais dos "companheiros", mantinha-se em um silêncio quase absoluto, e só confessava o que quer que fosse ao homem que não podia repassar seus dizeres, e nem mostrava querer. O animal robótico também era seu confidente, e parecia que aquelas duas presenças haviam acalmado um pouco o ser violento que era o palhaço.

Puro engano, mal sabiam eles o quão irritado Bou estava.

Estavam passando por mais dificuldades. Mesmo que a última parada tivesse se passado sem quaisquer incidentes, a inocência do circo não fora comprovada, e ainda não recebiam permissão para passar por vários portões. O Wickhan estava cansado de dar voltas e mais voltas sem colher fruto algum, ainda mais naquela coisa estúpida que chamavam de carro alegórico, cujo as rodas rangiam, e tanto o teto, quanto a base, pareciam prestes a romper. Estupidez. Tudo aquilo precisava ser jogado fora. Nada ali merecia salvação. Nem ninguém. Sequer conseguia acalmar-se mais ao tentar brincar com o homem que sempre o acompanhava, e Hazel não ajudava ao tentar estimular sua raiva com palavras arrastadas e maldosas.

Ela era perfeita, pelo menos disso tinha certeza.

Precisou de uma semana para decidir-se, e fora quando pararam diante dos portões de Beaumont - um lugar que nunca havia escutado sobre anteriormente -, que resolveu declarar aquele seu ponto final. Um sorriso estampava seu rosto, enquanto vestia-se tão galantemente como sempre, apesar de ter um ar mais que especial naquele momento. Seu olhar brilhava, agradado, e não se importou quando ouviu sobre a nova negativa que haviam recebido. Não podiam adentrar uma das cidades, claro, mas continuariam viagem; ou fora algo do gênero, que ouvira entrecortado às respirações pesadas de um palhaço franzino. Seus cabelos ondulados foram ajeitados com cuidado, junto a mãos extras, que tentavam deixar a aparência de Bou ainda mais delicada, tão diferente da personalidade distorcida, que lhe esticava um sorriso rebelde. E fora só quando pedira por auxílio na hora de colocar o espartilho, que se permitira gemer em um misto de alegria e desejo. Um desejo que não se convertia ao ato sexual, como muitos traduziriam, e sim à pura vontade de renascer em um outro lugar.

Quando a noite caiu, o palhaço sumiu do campo de visão de todos os outros artistas, inclusive de seu guarda-costas. Acusaram-no de incompetência, disseram várias coisas para o homem que não podia rebater, mas, que, se pudesse falar, tentaria explicar que o desaparecimento de Philip fora repentino até para si. Mal conseguia, ainda, assimilar o que acontecera, porém tinha a certeza de que o bobo não estava muito longe dali. O que era fato. Bou escondia-se perto até demais da alegoria. No entanto, sentava em um lugar em que a sombra era excessiva, e escondia tanto a si, quanto ao trabalho que fazia. Hazel ronronava, encantada, enquanto várias garrafas surgiam, lado a lado, entupidas de líquidos inflamáveis, e com lenços que tocavam a substância com uma das pontas. Estava bastante feliz com seu trabalho, ao ponto de cantarolar, enquanto guardava cuidadosamente os recipientes em sua bolsa, e seguia para perto de sua antiga moradia.

Mexeu nos cabelos, ajeitando-os levemente, antes de chamar Hazel para seu ombro, e sorrir delicadamente para o circo adormecido.

- Bons sonhos, meus queridos.

Então a gata mecânica abriu a boca, e um tubo se mostrou, antes que chamas contínuas escapassem dali. Bou, por sua vez, ocupou-se em acender cada uma de suas criações e jogar contra as estruturas do automóvel ao qual rodeava, cada parte atingida começando a queimar no instante seguinte, em pequenas explosões. Era lindo de se ver, principalmente quando terminara tudo, e resolvera sentar um pouco distante do local. O fogo subia, grande, forte, o álcool impedindo que qualquer tentativa de fugir do destino se cumprisse, ninguém sobreviveria. Riu, esticando as pernas, ainda fitando sua obra de arte, quando, repentinamente, uma figura conhecida pareceu brotar no meio da coloração intensa. Era grande, forte, bonito, e alguém com quem se divertira várias vezes. Não sabia o nome dele, e duvidava que ele soubesse o seu, mas o homem ficou ali, parado, fitando-o como se não estivesse sendo consumido pelas chamas que o rodeavam.

E o rapaz menor esteve prestes a acenar, sorridente, indiferente ao sofrimento alheio, quando sua cabeça pareceu doer. Fora repentino, sua mente ia e vinha, o olhar focando o ambiente, que, aos poucos, parecia mudar. Sentiu-se frágil, sentiu o olhar encher-se de lágrimas e o corpo ameaçar se jogar para frente, invadir as chamas para que pudesse salvar aquele homem, salvar todo o lugar. E o carro não mais parecia o circo desmontado que era, e sim sua casa, seu antigo lar, no qual vivera com seus pais. Grunhiu, insatisfeito com aquela enxurrada de sentimentos, assim como a rebeldia de sua personalidade, mas sentiu a culpa o invadir de forma violenta. Tinha algo de muito errado consigo, e demorou muito para perceber que já estava diante das chamas, gritando, desesperado, prestes a jogar-se no mar quente, quando fora puxado por seu allmate, o olhar de Hazel completamente diferente do que seria normalmente. Aliás, todo seu corpo parecia alterado, e de um gato grande, havia se tornado um cão de raça média, que puxava sua calça loucamente, em um desespero semelhante ao que sentia.

Philip gritou, caindo ao chão, envolvendo o animal pelo pescoço, chorando, reclamando os próprios feitos, enquanto uma língua robótica e gelada tocava sua face. Zeahl não emitia sons, ao contrário da sua outra forma animal, e Bou não lembraria de ter pedido aquilo ao homem que o confeccionara, não em sã consciência.

E o problema era que estava longe de ser são.

-

Philip nunca esteve ausente. Vez ou outra, era ele quem ia de um lado para o outro, esforçando-se para ajudar na manutenção do circo, ou conversando com o engolidor de espadas. Sempre que seus cabelos estavam presos, era sinal de que sua generosidade estava em alta, e ninguém mais tinha medo de se aproximar. Muitos até se encantavam com o sorriso gentil, e o jeito atrapalhado de quem, pouco antes, parecia malicioso demais. O garoto jamais usava salto alto quando estava em seus momentos bondosos. Sempre caminhava descalço, e sentava sob a sombra de uma árvore ou em uma fonte, onde afundava os dedos na água delicadamente. Era como um símbolo de inocência, por mais que odiasse ser lembrado como um. Tinha o brilho no olhar de alguém que estava perdido em um mundo diferente do que viviam. Um mundo sem violências. Mas o Wickhan nunca durava demais, e Bou chegava correndo, reclamando por estar imundo, e gritando ordens, pedidos por uma bacia repleta de água quente para que pudesse queimar o que houvesse de ruim no próprio corpo. Ainda que todos pensassem que era ele o que estava de ruim naquele corpo.

-

Passaram-se dias até que Philip conseguisse se estabelecer. Após o incidente do circo - que virara notícia em todos os lugares (Extra! Extra! O grande circo acabou cedendo à própria maldição!) -, o garoto buscou um lugar em que pudesse se abrigar. Primeiro, dera um jeito na própria aparência, seus cabelos sendo cortados rente à orelha, a parte interna raspada no que seria necessário para o novo estilo de vida que desejava. Após, buscou pegar o primeiro trem para Affaire, a capital cuja fama crescia dia após dia, um centro comercial incrível, cheio de histórias para contar, e com um ambiente lindo, ao mesmo que podre. Era o lugar perfeito para alguém como ele, por mais que tivesse se prometido não pensar mais daquela forma; queria superar os fantasmas do passado. E, para superar aquelas memórias escurecidas pelos feitos de seu outro eu, alistou-se na marinha local e fez de tudo para passar e conseguir seu espaço no ambiente, retomando sua inteligência para o próprio bem e para o bem das pessoas que pretendia proteger naquele posto.

Uma pena, porém, que ele nunca estava sozinho.



Informações adicionais

• Possui um allmate que muda de forma de acordo com sua personalidade. Quando está como Philip, ele o acompanha como o cão Zeahl. Enquanto Bou, seu animal é uma gata chamada Hazel. Em todos os casos, o robô pode se tornar um lança-chamas.

• Mesmo quando está como Philip, o rapaz utiliza o espartilho, porém sob suas roupas e tem a mania de ajeitá-las com frequência, para que a cintura delineada não fique evidente.

• Bou tem a mania de cumprimentar as pessoas com beijos, e não exatamente nos locais mais adequados para tal.

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